top of page

Crônica

  • DaianeRoza
  • 2 de nov. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de jan. de 2020




O tempo não volta


               O espaço da escolinha de educação infantil era pequeno e acolhedor, as salas eram minúsculas, mas proporcionais ao número de crianças, as plotagens nas paredes de crianças correndo e soltando pipa ao ar livre não poluíam em nada o ambiente, ao contrário davam um ar de alegria e descontração.


         Ainda que as salas fossem pequenas havia vários espaços para serem explorados. As crianças tinham liberdade para brincar e desenvolverem-se a seu tempo. As cobranças eram mais no sentido de promover a autonomia e criatividade dos alunos do que em relação à alfabetização.


              A sala de aula tinha um formato retangular, com um armário de três portas que ia de alto a baixo, em uma das paredes maiores do retângulo. Havia um quadro branco na altura dos alunos, espelho, mesinhas para as crianças, uma árvore seca pendurada no teto e a mesa da professora. Ah - a mesa da professora era da cor bege com duas gavetinhas, normalmente era usada para assinar as agendas e dispor os objetos da aula do dia, para a professora era seu espaço na sala, algo natural. Para os alunos era o lugar daquela a quem admiravam. A relação de afetividade em sala estava estabelecida com confiança e respeito.

Sempre no final da aula os alunos podiam escolher com qual material iriam brincar, nesse tempo a criatividade dos alunos corria solta, montavam com papel e fita adesiva mascaras, cartões, espadas, coroas, escudos... tudo muito engenhoso e criativo.


         Num desses momentos as meninas resolveram brincar de escolinha, prontamente Patrícia disse que seria a professora, tomou sua posição à frente sentada na cadeira da mesa da professora, logo foi pedindo para os alunos sentarem enquanto ela olhava um livro, nesse instante a professora - a verdadeira - nem prestou mais atenção na cena, pois o que lhe chamou a atenção foi a maneira como a menina se posicionou longe da turma fazendo um gesto com a mão para que se afastassem. Era como se fosse o espelho de sua atitude, os alunos distantes mesmo estando tão próximos. Que confuso e estranho era para a professora perceber seus erros pela imitação dos pequenos. O sentimento no início foi de vergonha e incompetência, porém ela que sempre considerou que a prática deveria ser refletida e refeita, ao invés ignorar a situação resolveu criar uma oportunidade de renovo.


             A atitude em sala mudou, mesmo com a correria do dia a dia a professora resolveu sentar com as crianças no final da aula para brincarem juntos, brincavam de jogos, faz de conta, massinha e muito mais. No olhar das crianças havia um brilho diferente naqueles momentos de mais aproximação, era gostoso desafiar e instigar suas capacidades.


            Depois de algum tempo a mesa da professora foi retirada da sala, pois o modelo de educação da escola propunha tal mudança, as crianças começaram a ficar mais perto, a professora sentava mais no chão. Mesmo sem perceber o carinho que já era grande aumentou, assim como a ligação entre os atores envolvidos naquele tempo e espaço de educação infantil. Sentada no chão com sua turma ao redor ela pensou no privilégio que tinha em estar naquele ambiente, não só pela metodologia de ensino, mas também pela oportunidade de ver aquelas vidinhas desabrocharem e crescerem.



Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page