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My first Crônica

  • DaianeRoza
  • 30 de jun. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de out. de 2019

Minha primeira crônica, que seja a primeira de muitas!


O que você quer Ser quando crescer?


Era mil novecentos e noventa e quatro ela tinha oito anos, usava uma franja que a deixava parecida com um bugre a cor de sua pele acompanhava o conjunto, acabara de se mudar para uma escola nova, do ponto de vista de uma garota que sempre era a nova da sala, a família fazia mais mudanças do que o necessário.


Na escola antiga a professora escolheu seu texto sobre as borboletas para colocar em um cartaz, por engano no cartaz aparecia uma repetição indevida da palavra borboleta, pena que ela não lembra exatamente como era a história… Ela sempre olhava para o texto sem saber exatamente que sentia orgulho de ter sido seu texto escolhido para ser colocado no cartaz com a letra da professora.


Na escola nova admirava a professora e tentava imitá-la em tudo, observava seu cabelo, seu jaleco, seu tênis branco de uma marca que ela não conhecia. Um dia a professora fez um desenho com montanhas, mar, um pescador e vários peixinhos, um deles com a cabeça para fora, cuspindo água pela boca. Para ela que estava acostumada a desenhar o clássico desenho da casa com flores e gramado, a nova paisagem parecia encantada, passou a ser a sua inspiração, aguçou sua criatividade e aumentou a admiração pela professora.


No dia dos professores sentia-se mal, pois nunca levara um presente àquela que tanto admirava. Não que a família não tivesse condições para tanto, mas porque isso não era considerado algo relevante dentro do ambiente familiar, na verdade ali escola era respeitada, mas não valorizada.


O ano foi passando e nesse tempo a menina já sabia o que queria ser quando crescer... Professora. Cada atividade que achava interessante guardava para aplicar com seus futuros alunos, quando ocorria alguma situação em sala ela pensava como iria resolver quando estivesse atuando. Em sua timidez não gostava dos trabalhos em dupla que não fossem direcionadas, certamente em sua sala de aula ela iria organizar as duplas para ninguém ficar sozinho.


No ano seguinte já na quarta série a professora fez um clima de suspense ao contar uma história, o final cada um deveria inventar. A história era de uma moça pobre que chegava faminta a uma casa, onde morava um senhor carrancudo que somente a deixaria ficar se ela passasse num teste misterioso de passar um dia na casa. A história fascinou a menina e quando chegou o momento da revelação, o final que dera era o que mais se aproximava da história original.


O encanto pelas histórias ia crescendo. A história das ovelhas para aprender matemática, o livro do touro indo ao matadouro, a história do contrário contada por meio de um toca fitas. Tudo trazia cada vez mais gosto pela leitura e literatura.

Certo dia percebeu que o ambiente na escola estava um tanto diferente do comum, a equipe da escola estava agitada, as professoras se mostravam nervosas e pessoas desconhecidas entravam nas salas para aplicarem provas, ao prestar atenção aos comentários escutou a professora lamentando quando se referia a ela: “É a melhor em produção de texto, mas ficou na prova de matemática”.


Dois mil e dezenove e ela está em uma sala lotada colocando em prática tudo o que fantasiava na época da escola? Não, agora ela coloca as ideias no papel, orienta pais, alunos e professores, tudo já não é mais tão mágico como parecia na infância. Agora o mistério da prova aplicada por pessoas estranhas virou avaliação de larga escala do Governo Federal, ela é a pessoa estranha que aplica a prova, as histórias e recursos variados viraram cobrança de estratégias para a melhoria da qualidade da educação, a professora que inspirava virou uma trabalhadora que se redobra para continuar inspirando seus alunos.


Apesar da falta de encanto da realidade ela ainda acredita no ensino, que traz novas perspectivas, acredita na educação que transforma e liberta.

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2 comentários


DaianeRoza
17 de out. de 2019

Eu não lembro Priscila, até procurei no Google, mas não encontrei😬

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Priscila Srb
Priscila Srb
15 de out. de 2019

Que lindo! Parabéns!!! Gostaria de saber o nome dessa história da moça faminta...

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